
Mas será que o Acomplia, batizado de pílula antibarriga, realmente é indicado para esse fim?Toda droga usada com fins de emagrecimento deve ser prescrita por médicos, únicos profissionais aptos.
Existem três classificações de remédios para emagrecer: os anorexígenos (femproporex e anfepramona), os sacietógenos e os inibidores de absorção de gordura, como o Xenical, que age diretamente no intestino.
Os dois primeiros tipos atuam diretamente no cérebro e costumam provocar efeitos colaterais que são mais ou menos sentidos de acordo com a sensibilidade do usuário.
Taquicardia, boca seca, insônia, ansiedade e depressão são alguns desses sintomas, que podem se tornar graves quando mal administrados. Na verdade, os remédios são indicados apenas para pessoas com obesidade grave, com IMC acima de 30, nas quais o objetivo é combater os efeitos da obesidade no organismo.
Nesse contexto, os problemas causados pelos remédios são menos importantes.
Acomplia: mitos e verdadesO termo 'pílula antibarriga' dá a impressão errônea de que o medicamento foi feito para acabar com as gordurinhas do abdômen.
Essa confusão fez com que pessoas importassem o remédio (cerca de R$ 500 por cartela que dura um mês), alimentando o sonho de conseguir a barriga da Gisele Bündchen.Segundo a Anvisa, o objetivo do Acomplia é reduzir de maneira significativa o peso, a circunferência abdominal, os índices de HbA1c (hemoglobina glicada) e de triglicerídeos, bem como elevar as taxas de colesterol HDL (bom colesterol).
'Pacientes em tratamento com o remédio registraram, em um ano, uma redução na medida da cintura de 8,5 centímetros em média', exemplifica o órgão.O medicamento, portanto, é indicado para pessoas com problemas de saúde decorrentes da obesidade e com quadro de síndrome metabólica, ou seja, com alterações nas taxas de colesterol, glicose e triglicerídeos.
'O principal efeito colateral é o enjôo. Também foram observados casos de diarréia, tontura e vômitos. Pessoas com propensão à depressão relataram um agravamento do quadro', segundo o site da Anvisa.
Esse é um dos perigos do Acomplia: ele também tem ação no cérebro e pode agravar severamente os casos de depressão. Mais uma prova de que não dá para brincar de automedicar-se.
O Acomplia foi aprovado em abril pela Anvisa e chegaria ao Brasil em agosto, mas teve sua venda adiada. Houve uma divergência entre o preço que o laboratório deseja (R$ 250,74) e o preço estipulado pela Agência (R$ 130,05). A Sanofi-Aventis entrou com recurso para renegociar a precificação, no entanto ainda não há previsão.






